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Animais

A vida após o abandono - Cavalo deixado para morrer em avenida se recupera na Zona Norte

CARLOS WAGNER

O cavalo maltratado, desnutrido e abandonado para morrer em 27 de fevereiro no canteiro central da Avenida A. J. Renner, em Porto Alegre, está a salvo.

Ficaram as cicatrizes das pancadas no lombo e a desconfiança com os humanos. Tornou-se arredio, dispara quando alguém se aproxima. Recupera-se no Pradinho do Humaitá, onde são disputadas corridas de charrete, na zona norte da Capital.

- Parece não ser o mesmo bicho. Está mais gordo, de pêlo lustroso, as feridas cicatrizadas. Mas ficou arisco - comenta o sargento Maurício Bernardina, do 1° Batalhão Ambiental da Brigada Militar.

Quando foi chamado para atender à ocorrência, em fevereiro, o sargento cogitou sacrificar o animal, por misericórdia. Os ossos saltavam, os ferimentos sangravam. Mudou de idéia quando viu o cavalo levantar a cabeça. Ele estava sendo tratado por pessoas que trabalham no bairro.

O sargento lembrou que, enquanto discutia com autoridades o lugar para onde levaria o animal, ouviu um garoto gritar:

- Este cavalo foi roubado do pai.

O pai do adolescente é Claudemir Machado Dutra, 43 anos, o Claudião, que compra e vende cavalos há mais de três décadas no pradinho. Na ocasião, ele reconheceu o cavalo, furtado no final de janeiro. Embora o animal não tenha marca, Claudião o identificou pela pelagem e pelos sinais particulares. Para reavê-lo, assinou um termo se comprometendo com o bem-estar da montaria.

O negociante tratou o cavalo com soro, antibióticos e ração à base de milho. Claudião acredita que o animal estará recuperado nas próximas duas semanas:

- É cavalo de carroça. Está arisco devido ao tratamento que recebeu.

( carlos.wagner@zerohora.com.br  )

Sugestão do Leitor O tema desta reportagem foi sugerido por Niura Ribeiro, de Porto Alegre. Os leitores podem enviar suas sugestões por carta (Avenida Ipiranga, 1.075 CEP 90.169-900, Porto Alegre), pelo fax (51) 3218-4799, e-mail (leitor@zerohora.com.br) ou pelos telefones (51) 3218-4333 e (51) 3218-4334, das 9h às 18h. Devem ser fornecidos nome, profissão, endereço, telefone e número da carteira de identidade.



No Pradinho do Humaitá, o cavalo cura suas feridas e engorda, mas se mantém arredio ao contato com humanos.   Foto(s): Robinson Estrásulas/ZH
 

Em fevereiro, o sofrimento do cavalo mostrado por ZH gerou revolta em leitores
Foto(s): Emílio Pedroso, Banco de Dados/ZH - 27/02/2007


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